LEONARDO ZANELLI (1982-2025)

Descanse em paz, amigo Léo!

COLUNA HUMBERTO AMORIM

1/25/20263 min read

Com muita tristeza, anunciamos o falecimento de um dos nossos maiores amigos e colaboradores: Leonardo Zanelli, músico, luthier e marceneiro profissional, responsável pelo projeto mobiliário do Memorial do Violão Brasileiro, que concebeu e montou os suportes de parede, de chão e de exposição, todos feitos com madeiras tratadas e adequadas ao nosso espaço físico.

Léo acompanhou o nascimento desse nosso sonho-alucinação na raiz. Quando compramos o espaço, em 2022, ele foi o primeiro a visitá-lo para montar os suportes de violão inaugurais. Eis um registro do momento, quando a sala, no coração do Centro Cultural do Rio de Janeiro, deixou de estar vazia para abrigar os seus móveis.

Desde então, não paramos de nos comunicar e de fazer parcerias. Ele esteve no Memorial outras tantas vezes para montar novos suportes e artefatos, dando sugestões, tecendo críticas e comentários, mas, sobretudo, demonstrando o seu profundo amor pelo violão. O convívio foi nos tornando amigos para além do trabalho. Para mim e para Chico, era sempre uma alegria estar com ele. O Memorial e nossa amizade foram, assim, crescendo juntos. Ele não escondia o enorme orgulho de observar os seus suportes e molduras na parede quando finalmente abrimos o espaço. Eis outros registros:

Entre 2022 e 2025, além de nossos encontros, trocamos mensagens, áudios e ligações constantemente. Ele estava para visitar o Memorial e montar os últimos suportes planejados; já tinha separado os últimos livros e partituras que editamos para entregar em mãos, mas um grave acidente de moto, ocorrido no dia 29 de novembro de 2025, nos impediu. Léo lutou bravamente pela vida até o dia 19 de dezembro, quando finalmente descansou.

Léo deixa esposa, Ducarmo Souza, e filho, Lucas Zanelli, ambos imensamente amados por ele e dos quais ele tinha o maior orgulho, sentimento que ele expressava recorrentemente em nossas conversas. Meus sentimentos à família, amigos e parceiros de trabalho. O Memorial também fica órfão de um de seus membros mais decisivos e queridos, mas, enquanto estivermos de pé, Léo Zanelli viverá conosco por meio do afeto, da gratidão e de seus maravilhosos trabalhos. Cada canto do Memorial tem a sua marca e isto é algo precioso demais para nós:

Tardei para escrever este texto, pois toda vez que tentava começar, as lágrimas não me permitiam seguir adiante. Hoje elas não deixaram de cair, mas fiquei escutando repetidamente Canção da América, do Milton Nascimento, um hino da amizade, para encontrar forças e palavras. Também me agarrei na frase eternizada pelo próprio Léo na parede do Memorial:

Meu amigo querido, sou eu quem devo lhe agradecer a honra e a alegria de sua decisiva participação nesse sonho tão bonito que foi a criação do Memorial. Obrigado pela sua amizade, competência e carinho. Você seguirá para sempre no meu coração e no do Chico, “debaixo de sete chaves”. Como diz a canção do Milton que embalou este texto: “Seja o que vier / Venha o que vier / Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar / Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.”

Descanse em paz e até nosso reencontro em outra esfera. Por aqui, nosso sonho seguirá adiante!

Humberto Amorim

Professor (UFRJ), pesquisador, violonista e

fundador do Memorial do Violão Brasileiro